Fonte: Goiás Agora
Os dois principais projetos públicos de irrigação - Luís Alves do Araguaia e Flores de Goiás - coordenados pela Secretaria do Planejamento e Desenvolvimento, estão produzindo nos cultivos de inverno deste ano a maior e mais valiosa safra de sua história. Até o mês de outubro serão colhidas 65,8 mil toneladas de produtos, das quais 27,4 mil toneladas em Luís Alves e 38,4 mil toneladas em Flores de Goiás. No primeiro projeto foram plantados soja, melancia, abóbora kabutiá e gergelim. Em Flores de Goiás a predominância é do arroz irrigado. Em valores de mercado, considerando os preços recebidos pelos produtores, a movimentação de recursos nos dois projetos deverá atingir R$ 26,647 milhões nesta safra.
O secretário do Planejamento e Desenvolvimento, Oton Nascimento Júnior, argumenta que os bons resultados são decorrentes dos investimentos feitos nos últimos quatro anos pelos governos federal e estadual, principalmente em 2009 e no primeiro semestre deste ano. Em Luís Alves foram investidos no ano passado um total de R$ 11 milhões, na construção de canais e sistematização de uma área de 960 hectares na fase um da segunda etapa do projeto. Este ano, os investimentos totalizam R$ 15,1 milhões, em obras semelhantes na fase dois da segunda etapa, quando serão preparados mais 1,8 mil hectares.
Em Flores de Goiás foram investidos R$ 43,1 milhões em 2009, recursos utilizados na conclusão da barragem do Ribeirão Porteira, construção do vertedouro secundário da barragem no Rio Paranã e mais 3,5 quilômetros do canal principal de irrigação. No momento, a Seplan negocia com o Ministério da Integração Nacional o repasse de R$ 80 milhões para construção da barragem do Ribeirão Extrema, permitindo interligar o trecho inicial do canal principal ao trecho dois que está pronto até a barragem do Porteira. Esse barramento é fundamental para dar sustentabilidade ao projeto no que se refere à oferta de água.
Luís Alves
Na safra atual, que será colhida até outubro próximo, o Projeto Luís Alves do Araguaia (município de São Miguel do Araguaia), vai produzir 10,84 mil toneladas de melancia em 271 hectares da primeira etapa e outras 12 mil toneladas em 300 hectares plantados na segunda etapa, totalizando 22,4 mil toneladas. Também serão produzidas 3.924 toneladas de soja em 1.308 hectares da primeira etapa, mais 375 toneladas de abóbora kabutiá a serem obtidas em 25 hectares. Outra cultura plantada pela primeira vez em caráter comercial é o gergelim, em área de 417 hectares nas duas etapas, com produção prevista 316 toneladas.
O gerente de Estudos e Operações do Projeto Luís Alves, Araldo Pedro Steindorff, explica que além dos cultivos comerciais, os órgãos de pesquisa que atuam em conjunto com a Seplan (Secretaria da Agricultura, Emater-Goiás e Embrapa) desenvolvem pesquisas em uma gleba na primeira etapa. Este ano são avaliadas variedades de soja precoce, gergelim, melão e abóbora kabutiá, além de cultivares de amendoim, algodão colorido, cebola e feijão de porco (fertilizante natural e fixador de nitrogênio no solo). Durante todo o ciclo das culturas, o Projeto Luís Alves gera 200 empregos diretos e centenas de indiretos, principalmente na colheita da melancia e da abóbora e no carregamento dos caminhões que transportam essas mercadorias.
Flores de Goiás
No Projeto Flores de Goiás estão cultivados de junho a outubro deste ano um total de 6,4 mil hectares de arroz, incluindo glebas localizadas no perímetro específico do projeto e em áreas adjacentes ao Rio Paranã. No primeiro caso, o fornecimento de água é feito pelo canal principal do projeto, da barragem do Paranã. Nas áreas externas, a água é fornecida também pela barragem do Paranã. O bombeamento é feito diretamente do rio, com água garantida pelo controle da vazão, mantida em torno de 13,5 metros cúbicos por segundo.
Conforme o gerente de Projetos e Obras da Superintendência de Irrigação da Seplan, Marcelo Corte Real da Silva, considerando a área plantada na região do Projeto Flores, de 6,4 mil hectares, a produção estimada é de 38,4 mil toneladas de arroz, o que corresponde a 640 mil sacas de 60 quilos. Levando em conta o valor por saca recebido pelos produtores, em torno de R$ 32,00, somente a safra do período seco deste ano vai movimentar cerca de R$ 19,2 milhões. A geração de emprego em Flores de Goiás durante este ciclo de produção chega a 320 empregos diretos e 1,2 mil indiretos.
Além da produção agrícola, o Projeto Flores de Goiás está contribuindo para o incremento do turismo na região. Com a formação do lago da barragem do Rio Paranã, com área total de 3,2 mil hectares, alguns empreendimentos turísticos começam a ser construídos na região, com oferta de serviços como acomodações, barcos para pesca esportiva e espaços para acampamentos.